Eudaimonia
é uma palavra grega que se traduz como felicidade ou bem-estar, mas
segundo Aristóteles esse não é um estado, mas antes uma atividade
humana que é preciso buscar de forma contínua e exige que nós
deliberadamente busquemos os meios para alcançá-la. É o que está escrito
no livro “Ética a Nicômaco” do filósofo.
O que para mim traz felicidade pode não ser o que lhe traz felicidade, não é mesmo?
A
felicidade é algo muito particular de cada indivíduo, estando atrelada a
nossa história, ao meio social e cultural em que crescemos.
Mesmo assim existem valores que são universais, que são imprescindíveis para todo ser humano. Creio que se lermos o documento “Declaração Universal dos Direitos Humanos”
todos concordaremos que o bem-estar está vinculado ao que tentamos
(embora estejamos longe de alcançar) articular na carta das Nações
Unidas.
Notem que na carta está declarado que estamos nos comprometendo a buscar esses direitos em prol da preservação das gerações vindouras. E há algo na carta que gosto, particularmente, de ressaltar: é a conscientização que somos “membros da família humana”.
São
muitos os desafios que temos para efetivar o que foi proposto na carta.
Mais desafiador ainda é trazer para a nossa realidade diária a
compreensão de que essa é uma busca que depende de cada indivíduo vivo
no planeta. Não é algo que dependa apenas dos governos, antes é algo que
precisa ser abraçado por cada cidadão.
Neste
sentido nosso engajamento em grupos de debates que encorajem a
criatividade - de onde é possível descobrir formas praticáveis de
melhorias em nossas vidas em comunidade - é algo que está ao alcance de
nossas mãos.
Como brasileira tenho consciência que nosso povo é por demais inerte, mas confio que com diálogo aberto e a união de forças em prol de melhorias comunitárias possamos aos poucos ir formando uma corrente que ganhe força.
O
futuro depende de nós, do que fazemos agora. Nesse sentido é que voltei
a faculdade para me dedicar a Filosofia, para me aprimorar como
professora; e como psicanalista tomo a bandeira de ajudar a apaziguar
nosso mal-estar e sofrimento psíquico. Procuro fazer a minha parte, não
apenas por mim: em meu mais profundo ser existe uma inabalável confiança
de que vamos despertar como humanidade para desabrochar como sementes
em busca da luz da consciência. Vamos nos tornar uma imensa árvore
metafórica de família humana onde cada um é uma folha dessa imensa e
majestosa criação viva.
Que
a paz a que todos almejamos esteja sendo criada em cada coração que se
dedica a se compreender mais profundamente ao elaborar o que está no
inconsciente.
É na escuridão do nosso inconsciente que está a luz que deve despertar e fazer brilhar a família humana.
Leia a Declaração Universal dos Direitos Humanos:
https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos