sábado, 20 de julho de 2024

MENSAGEM PARA AS MÃES

 

Feliz dia das mães, em especial às mães gaúchas que passam por esse momento tão desolador e desafiador.

Segundo o mito nos conta o deus Júpiter (romano) Zeus (grego), queria castigar a humanidade. Para tanto enviou Pandora para a terra com uma caixa contendo as chamadas pragas: velhice, discórdia, inveja, guerra, doenças. Assim, quando Pandora abriu a caixa os males saíram e assim assolaram o planeta. Epimeteu, consorte de Pandora apressou-se para fechar a caixa, mas era tarde, porque os males já haviam saído.

Mas no fundo da caixa restou a esperança.

É com a esperança em nossos corações, assim como com a união de forças que os males podem ser superados.

Que possamos resguardar essa luz em nossos corações porque ela pode mantê-los aquecidos.

EUDAIMONIA - FILOSOFIA

 

Eudaimonia é uma palavra grega que se traduz como felicidade ou bem-estar, mas segundo Aristóteles esse não é um estado, mas antes uma atividade humana que é preciso buscar de forma contínua e exige que nós deliberadamente busquemos os meios para alcançá-la. É o que está escrito no livro “Ética a Nicômaco” do filósofo.

O que para mim traz felicidade pode não ser o que lhe traz felicidade, não é mesmo?

A felicidade é algo muito particular de cada indivíduo, estando atrelada a nossa história, ao meio social e cultural em que crescemos.

Mesmo assim existem valores que são universais, que são imprescindíveis para todo ser humano. Creio que se lermos o documento “Declaração Universal dos Direitos Humanos” todos concordaremos que o bem-estar está vinculado ao que tentamos (embora estejamos longe de alcançar) articular na carta das Nações Unidas.

Notem que na carta está declarado que estamos nos comprometendo a buscar esses direitos em prol da preservação das gerações vindouras. E há algo na carta que gosto, particularmente, de ressaltar: é a conscientização que somos “membros da família humana”.

São muitos os desafios que temos para efetivar o que foi proposto na carta. Mais desafiador ainda é trazer para a nossa realidade diária a compreensão de que essa é uma busca que depende de cada indivíduo vivo no planeta. Não é algo que dependa apenas dos governos, antes é algo que precisa ser abraçado por cada cidadão.

Neste sentido nosso engajamento em grupos de debates que encorajem a criatividade - de onde é possível descobrir formas praticáveis de melhorias em nossas vidas em comunidade - é algo que está ao alcance de nossas mãos.

Como brasileira tenho consciência que nosso povo é por demais inerte, mas confio que com diálogo aberto e a união de forças em prol de melhorias comunitárias possamos aos poucos ir formando uma corrente que ganhe força.

O futuro depende de nós, do que fazemos agora. Nesse sentido é que voltei a faculdade para me dedicar a Filosofia, para me aprimorar como professora; e como psicanalista tomo a bandeira de ajudar a apaziguar nosso mal-estar e sofrimento psíquico. Procuro fazer a minha parte, não apenas por mim: em meu mais profundo ser existe uma inabalável confiança de que vamos despertar como humanidade para desabrochar como sementes em busca da luz da consciência. Vamos nos tornar uma imensa árvore metafórica de família humana onde cada um é uma folha dessa imensa e majestosa criação viva.

Que a paz a que todos almejamos esteja sendo criada em cada coração que se dedica a se compreender mais profundamente ao elaborar o que está no inconsciente.

É na escuridão do nosso inconsciente que está a luz que deve despertar e fazer brilhar a família humana.

Leia a Declaração Universal dos Direitos Humanos:

https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos

sexta-feira, 19 de julho de 2024

TRANSFORMAÇÃO

 

A vida é transformação constante, ininterrupta.

Isso significa que para o nosso bem estar psíquico precisamos aceitar os acontecimentos sem nos identificar com eles. Porque quando rotulamos uma coisa de boa e outra de ruim nós não vivenciamos a experiência. Ao invés disso o que fazemos é nos deixar absorver pelos pensamentos acerca do que está ocorrendo. Nós nos identificamos com o que pensamos a respeito; e assim os sentimentos são gerados e ficam nos absorvendo. Com isso perdemos muita energia.

Não apenas perdemos energia quanto deixamos de nos abrir para aprender. Porque nossos pensamentos se fixam no que rotulamos e assim não temos como ver a situação por outros ângulos.

Ouvi alguém dizer:

“Quem tenta prender as experiências fica apegado a um cadáver”.

De certa forma isso não deixa de ser verdadeiro: a renovação fica travada quando nos apegamos ao que pensamos a respeito das coisas que estão acontecendo com nós. Nós bloqueamos o fluxo da vida.

O medo é o maior paralisador do fluxo psíquico. A mente paralisa, fica deprimida e isso limita nosso entendimento.

A mente é energia! Jung tem um livro com o título “A Energia Psíquica”. Quando existe muita energia abaixo do limiar da consciência isso tem uma série de formas de sinalizar. O corpo sinaliza que essa energia está bloqueada. O inconsciente tenta nos avisar, porque a psique é um sistema que é autorregulado. Isso significa que o próprio sistema psíquico tenta conquistar o equilíbrio.

Mas quantos de nós estamos abertos para ouvir esses sinais?

Estar aberto em estado alerta é a forma de manter o fluxo livre e a transformação em andamento.

CRIANÇAS SÃO SUJEITOS DE APRENDIZAGEM

 


Em minha rua temos uma vizinha que sofreu um AVC (acidente vascular cerebral), ficando assim com sequelas: incapacitada de caminhar, de comer sozinha ou mesmo de falar.

Fiquei chocada quando soube que ela permanece em casa sozinha, pois a filha mora longe e não vem visitá-la. O que a filha fez foi contratar outra vizinha para atendê-la da melhor forma possível. Isso porque essa pessoa que foi contratada não é cuidadora, não tem experiência no assunto nem foi preparada para exercer esse serviço.

Então tudo o que está sendo feito é que algumas vezes por dia alguém vai nessa casa para dar comida, trocar fraldas e coisas do tipo. Não me perguntem com que frequência essa doente recebe banho, por exemplo.

O fato que me chamou a atenção e que a vizinhança toda se pergunta é:

Como pode uma filha fazer isso com a própria mãe?

E isso tem gerado um alvoroço na vizinhança. Ouço algumas pessoas levantando a questão: que tipo de mãe ela foi para essa filha para receber esse tipo de tratamento (neste caso a falta dele).

Então hoje lembrei de Françoise Dolto (psicanalista francesa).

Dolto nos lembra que (vou dizer com minhas palavras na forma que me lembro):

se a criança ao invés de receber carinho receber autoritarismo, o que ela vai sentir não é amor, mas medo

Com muita frequência vejo crianças com medo dos pais. Crianças que obedecem por medo do castigo, retraídas pelos xingamentos, com baixa autoestima pela forma depreciativa com que foram tratadas.

A questão é que não dá para saber como alguém vai reagir com a forma que é tratada, mas é fato que nos fazemos através da convivência que temos com a família.

Todos os dias ouço pais gritando com filhos, ameaçando em tom de voz elevado; e penso no dia em que essas crianças forem embora.

Boa parte dessas crianças, quando crescerem, vão levantar voo e ir para mais longe possível.

Então não sabemos que tipos de pais e mães temos quando olhamos pessoas abandonadas.

Crianças crescem. E crianças seguem o exemplo do que veem.

As crianças se orientam pelas atitudes dos pais e cuidadores e não por suas falas. Falar não basta. Gritar prejudica (quem grita demonstra que não tem autoridade e tenta impor a vontade de forma tirânica).

Crianças crescem vendo as atitudes. Atitudes equilibradas e de bom senso contribuem para a boa formação infantil. Atitudes desequilibradas prejudicam a formação da criança.

Atitudes tirânicas onde as emoções da criança não são levadas em consideração geram transtornos nos relacionamentos familiares, e mais tarde a criança pode querer ficar o mais longe possível da família, não importando o que aconteça com os familiares. Isso é mais verdadeiro se a pessoa não elaborar em análise suas questões; então o afastamento é uma defesa do ego para não sofrer novamente.

As alternativas são muitas e cada caso é um caso e deve ser analisado em separado e com cuidado.

Fica então o convite para pensarmos no assunto pela perspectiva da psicanálise: crianças são sujeitos em aprendizado; e não pessoas pequenas que não sabem o que querem. São sujeitos muito atentos, astutos, observadores.

E precisam de nosso respeito.

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IMPOTÊNCIA

 

UM FENÔMENO DA ATUALIDADE, QUE PODE SER VERIFICADO EM NOSSA SOCIEDADE, É O SENTIMENTO MASSIVO DE “IMPOTÊNCIA”. A CADA DIA ATENDO PESSOAS, EM MINHA PRÁTICA CLÍNICA, CHEGANDO COM ESSA QUEIXA.

PARTE DO QUE PODEMOS VER HOJE ÉO RESULTADO DE VIVERMOS NUM PAÍSLONIZADO”. VEJA QUE ATÉ O NOME SOA BRANDO.

AGORA IMAGINE SE PARÁSSEMOS DE DIZER QUE FOMOS COLONIZADOS E AO INVÉS DISSO PASSÁSSEMOS A DIZER: FOMOS EXPLORADOS!

A SIMPLES MUDANÇA DE FALA NOS COLOCA EM OUTRO PONTO: FOMOS EXPLORADOS!

MAS O QUE VEM À MENTE É QUE CONTINUAMOS ASSIM.

ISSO ESTÁ ENRAIZADO NO INCONSCIENTE DO BRASILEIRO. E NÃO ESTOU AQUI PARA FAZER POLÍTICA. ESTOU AQUI ANALISANDO O INCONSCIENTE (POIS ESSE É O MEU PAPEL ENQUANTO ANALISTA); CONVERSAR COM O INCONSCIENTE.

COMO BRASILEIROS TEMOS O DESAFIO DE SAIR DA INÉRCIA QUE ADVÉM DESSA EXPLORAÇÃO. SOMOS UM POVO RESILIENTE; SOMOS UM POVO CRIATIVO. CONVIVEMOS COM AS DIFERENÇAS: ACOLHEMOS AS DIFERENÇAS. SIM, SOMOS UM POVO ACOLHEDOR.

FREUD E O NASIMENTO DA PSICANÁLISE

 

A psicanálise nasceu com Sigmund Freud.

Freud era médico neurologista e descobriu o inconsciente ao trabalhar com suas histéricas. Enquanto elas eram tratadas como estando fingindo por um lado; ou por outro eram objeto de estudos no sentido de se procurar causas físicas, orgânicas para seus transtornos e sofrimentos. Freud em seu trabalho de investigação descobre que de certa forma elas até estão “fingindo”, mas elas não sabem disso (é algo inconsciente).

  Freud precisou ter muita coragem para sustentar suas descobertas, porque no meio médico daquela época a visão era predominantemente mecanicista. As histéricas eram observadas e na medida em que não se viam problemas físicos que explicassem os sintomas histéricos: paralisações de medos, afasias, contorções diversas, cegueira, surdez e assim por diante. O entendimento era de que se não haviam braços quebrados, ossos quebrados, então não havia motivo para a paciente não conseguir mover os braços, logo elas estavam fingindo.

 Em minhas palavras: o outro que existe em nós (para ser mais precisa os outros) atua sem a nossa vontade, sem a nossa permissão. Dizemos coisas, fazemos coisas, sentimos coisas que não saem “de nós”; passamos por situações que nós mesmos nos estranhamos. Nos pegamos perguntando “de onde saiu isso” - esse é o inconsciente.